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Confira a sinopse do enredo da Mangueira “A Negra Voz do Amanhã”


“A NEGRA VOZ DO AMANHÔ

Sinopse - Carnaval 2024 - Estação Primeira de Mangueira



O sonho que me criou tinha som!

Canto de voz negra, de mulher,

De São Luís do Maranhão.

De sangue Nazareth, do amor de Seu João Carlos e Dona Felipa. Conduzida pela fé, pelos encantos de sua gente e solos de piston. Pelo desejo de ser, o destino em vencer, pela vontade em tecer Novos caminhos aos sambistas e mulheres de uma nação.

Da esperança fez seu afã;

De sucesso, sou eu, o seu amanhã.


Nasci a sombra de um velho cajueiro,

Templo de memórias de minha pequena,

Cuja família farta foi sua primeira devoção.

Dos filhos, era a quarta,

De uma infância de bonecas feitas à mão,

Ao som dos metais, ensinados pelo pai,

Em sua instrumental criação.

Na sua vida, logo a música marcou presença

Mergulhada, também, em tantas crenças, preces e procissões De seu povo que lhe ensinou desde cedo

Que a fé vai muito além das religiões.

Tudo é questão de crer numa força maior e do bem,

Seja de Mina, Encantado ou de amém.

Adorê as almas! Que se afaste de nós todo quebranto! Xangô nos guie com Iansã

Na graça de Deus, da Virgem Maria e do Espírito Santo!


Me bordei com ela em fitas, rendas e flores

Se encantou com os tambores

Que falam com pandeirões e matracas;

Caixas e maracas fazendo tremer o chão!

Em ladainhas de reisado, em folias de Fofão,

Em louvor a São Marçal, São Pedro e São João.

Quem “inda” não viu Tambor de Crioula do Maranhão? Rodam saias de coreiras em cortejo colorido,

Pés descalços, canto preto, coração a São Benedito! Cazumbá chegou e o boi se levantou

Riscou a ponta na terra que o terreiro poeirou, Brincaram caboclos no balançar das penas, Desfilaram vaqueiros montando a cena.

Pra festejar o touro negro que a encantou.

Cresci ao viver o que a cultura popular lhe proporcionou!


Me arriscou pra se fazer mais forte!

Sob a batuta de seu velho, cantou os primeiros acordes Educou e buscou a própria sorte após uns solos de trompete. Desembarcou num Rio Antigo

E, através dos discos, seguiu o sonho da canção.

Buscou a sua “grande chance” sendo o som das madrugadas, Das turnês, clubes e baladas

Até se tornar a Marrom.


O cantar marcante que entoava

As poderosas divas negras, até ser notada Como aquela que seria a grande voz

Do Swing e da ginga; do soul e mandinga; Do banzo e Blues;

Do partido alto e seu primo Jazz, Afro-mestiço, preto de olhos azuis. Recebeu, enfim, seu anel de bamba Começava, ali, a sua história com o samba.


Ganhei corpo malandreado e um gostoso requebrado

Que a levou às paradas de sucesso, ao tão sonhado estrelato

Obviamente, não foi fácil, mas onda forte não derruba quem tem fé

Nem machuca quem tem Figa de Guiné!

Seu surdo te escutava e chorava para o povo se alegrar

E aí foi que eu sambei, comadre

Com seu companheiro, o amigo pandeiro,

Que apanha sorrindo pra gente cantar. Que sufoco!

Amor louco pelo samba, que me vira a cabeça e envenena,

Mas que sempre vale a pena, pois é garoto maroto, menino sem juízo,

E já aprendemos a te aceitar assim, faz bem pra mim e pra todo mundo. Você o transformou, também, como bandeira de luta, dando um alerta geral Sobre a importância da música nacional, a nossa negra cultura ancestral, Através de seu cantar, como um ser de luz, um eterno sabiá,

Tornou-se o vício das massas, a porta voz de sua raiz,

A estranha loucura de um país. A loba escondida de várias mulheres,

A cor marrom de tantos Brasis.


Mas eu não estaria completo se não chegasse onde você queria,

Na comunidade em que deixo de ser apenas seu, para ser de tantos, como magia. Onde o ébano desce o morro,

Se vestindo em verde e rosa e encantando a poesia,

Além da menina, que via fotos das baianas pelas páginas do Cruzeiro

E se deu como missão encontrar os baluartes e partideiros

Da Primeira Estação, fazendo desse chão seu novo terreiro.

Mas não bastava apenas desfilar, era preciso transformar aquele lugar,

Pois seu dom sempre foi, além de cantar, estar pronta para alegrar e ajudar. Mangueira é uma mãe que escolheu você como filha

Que não nasceu no Buraco Quente, mas veio de amorosa ilha

Para transformar o “Amanhã” dessa gente que hoje brilha

Como rainhas e ritmistas, cantores, casais e passistas

Crianças que se transformaram e encantam como artistas.

De uma escola onde não sou apenas amanhã,

Sou hoje!

Que luta com você para nunca deixar o samba morrer!

De um povo que te ama, que na avenida te espera e aclama

Por te conhecer ao longe,

A minha negra voz, a nossa amada Alcione!


Texto e desenvolvimento de enredo: Guilherme Estevão, Annik Salmon e Sthefanye Paz

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